Criado para o Hackaday Retrocomputing Challenge 2026, projeto do maker Peter calcula dígitos de Pi apenas com o clique físico de contatos mecânicos e exibe dados em matriz de LED.

Quando pensamos em retrocomputação, nossa memória afetiva normalmente nos remete aos chips de silício consagrados das décadas de 1970 e 1980, como o Zilog Z80, o MOS 6502 e o Motorola 68000. No entanto, para o maker Peter, qualquer circuito que utilize semicondutores e transistores modernos parecia recente demais. Disposto a levar o conceito de tecnologia retrô ao limite da engenharia física, ele desenvolveu para o Hackaday Retrocomputing Challenge 2026 uma máquina de 16 bits construída puramente com relés eletromecânicos.

A Mecânica por Trás da CPU de 16 Bits

Em vez de bilhões de transistores microscópicos gravados em pastilhas de silício, o processador deste projeto opera com interruptores físicos acionados por bobinas magnéticas. Cada porta lógica, somador e registrador depende do movimento real de lâminas metálicas abrindo e fechando contatos elétricos.

A arquitetura foi projetada para ser simples e robusta, operando com um conjunto enxuto de apenas 19 instruções de máquina. Todo o fluxo de processamento é centrado em um registrador acumulador (ACCU), por onde passam obrigatoriamente todas as operações matemáticas, lógicas e instruções de leitura e escrita.

Oito Minutos de Cliques para Calcular o Pi

Para provar que a máquina não é apenas uma peça de exibição estética, Peter programou uma rotina matemática para calcular os três primeiros dígitos do número Pi. A execução do algoritmo exigiu oito minutos ininterruptos de uma fascinante sinfonia mecânica de cliques ritmados até que os contatos chegassem ao resultado final.

A saída de dados conta inclusive com uma tela visual: o computador foi conectado a uma matriz de 32×32 LEDs, que exibe caracteres e gráficos primitivos na cadência permitida pela velocidade de comutação dos relés mecânicos.

De um Simples Pisca-Pisca a um Sistema Completo

A criação atual é uma evolução direta de um experimento anterior de Peter apresentado no “One-Hertz Challenge” do Hackaday no ano passado, cujo objetivo inicial era apenas fazer piscar uma lâmpada indicadora a um ciclo por segundo. Expandir aquele conceito inicial para um computador programável completo de 16 bits demonstra a persistência e a criatividade da comunidade maker contemporânea.

O projeto de Peter concorre oficialmente no Retrocomputing Challenge 2026, competição global organizada pelo Hackaday e patrocinada pela DigiKey, cujas submissões permanecem abertas até o dia 27 de outubro.

Para quem acompanha a história da informática no Oldplayers, o projeto é um tributo vivo aos gigantescos computadores eletromecânicos pioneiros da década de 1940, como as lendárias máquinas de Konrad Zuse e o Harvard Mark I, provando que o fascínio pelo hardware clássico transcende qualquer geração.

Fontes e referências:
Cobertura técnica no Hackaday
Regulamento oficial do desafio

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *