No dia 2 de outubro, durante o RetroGameCon 2026 em Syracuse, um painel moderado por John Riggs reuniu o artista Paul Niemeyer e o locutor Tim Kitzrow para discutir os bastidores de trabalhos que marcaram os fliperamas. A conversa, com pouco menos de 45 minutos, tocou desde roteiros de estúdio e departamentos de arte até disputas sobre pagamento e créditos.

De bandas e pinballs ao icônico grito de NBA Jam

Tim Kitzrow contou como a carreira em jogos nasceu a partir de uma trajetória em atuação e música — ele estudou atuação, trabalhou em Chicago e continuou tocando bateria. Laços com colegas que iam trabalhar na Bally, Williams e Midway abriram a porta para narrações em máquinas de pinball, começando por um trabalho em Gilligan’s Island (Mr. Howell).

Foi por essa rede que surgiu a indicação para NBA Jam, através do compositor e roteirista Jon Hey. Num primeiro momento o estilo de locução se aproximava do comentário esportivo tradicional, inspirado em Marv Albert; com o desenvolvimento do jogo, programadores aumentaram a exageração das jogadas — dunks mais altos, animações maiores — e isso permitiu uma performance mais caricata do narrador. Kitzrow atribuiu a origem do bordão “Boomshakalaka” a alguém que ouviu Sly and the Family Stone e sugeriu a expressão ao estúdio (aprox. 37:18 do painel).

O caminho de Paul Niemeyer e a arte dos gabinetes

Paul Niemeyer falou sobre sua entrada na cena da arte de arcades nos anos 1980, citada também em seu perfil na Malice Media, que relaciona contribuições em títulos como TRON, Tapper, Spy Hunter e Super Pac-Man. Ele descreveu o trabalho prático do dia a dia: completar letras faltantes em logotipos, cumprir prazos apertados e preparar painéis e gabinetes para impressão.

Uma das lembranças marcantes foi a atribuição de Satan’s Hollow, quando, depois de ser provocado por colegas sobre as criaturas do painel, percebeu que aquele tipo de brincadeira significava que havia sido aceito na equipe.

Alegações sobre Mortal Kombat

Niemeyer apresentou uma versão pessoal sobre sua participação na arte original de Mortal Kombat. Segundo ele, não recebeu pagamento pelo trabalho, que teria sido feito com um brief curto e em três semanas. Ele afirmou ter enviado uma fatura em agosto e ainda buscado pagamento em dezembro; também afirmou que, em uma ligação subsequente, Ed Boon teria ameaçado ação legal caso Niemeyer exibisse a arte ou se identificasse publicamente com ela. Niemeyer disse ter ficado fora do reconhecimento público por 27 anos e relatou ter recebido uma notificação da Warner Bros. mais tarde.

Ele descreve ter travado uma batalha judicial de dois anos que, em sua versão, terminou a seu favor quando um juiz questionou a forma como ele estava sendo perseguido enquanto outros criadores de itens derivados não eram. Essas declarações são apresentadas como o relato de Niemeyer; o painel não trouxe documentos judiciais ou número de processo que corroborem os detalhes legais (comentários sobre pagamento e ações legais a partir de aproximadamente 3:37).

Niemeyer também questionou créditos de criação do jogo: afirmou que Ed Boon teria entrado como programador após a ideia envolvendo Jean-Claude Van Damme ser descartada, e deu crédito principal a John Tobias. O painel não trouxe resposta de Boon ou da Warner Bros.; vale notar que créditos estabelecidos e uma matéria na PlayStation Blog identificam Boon e Tobias como co-criadores.

Histórias pessoais e trabalhos além dos arcades

Ambos contaram episódios divertidos de nunca terem sido jogadores habilidosos dos próprios títulos: Niemeyer disse que nunca havia jogado Mortal Kombat antes de uma demonstração em convenção e acabou vencendo escolhendo Raiden e apertando botões aleatoriamente; Kitzrow lembrou de ser orientado a jogar NHL Hitz sem saber os controles e improvisar um pretexto profissional para passar o controle adiante.

Kitzrow também falou sobre outros projetos nos quais pôde experimentar com textos e improviso, como NFL Blitz e MLB Slugfest, e seu trabalho posterior em Mutant Football League. Niemeyer mencionou trabalhos em embalagens de cereais e doces, esculturas e atrações temáticas — lembrando que a arte de arcade foi apenas parte de trajetórias mais longas para ambos.

O painel terminou com o convite para visitar as mesas dos convidados no evento. O RetroGameCon 2026 ocorreu entre 2 e 4 de outubro no The Oncenter, em Syracuse.

Fonte: Retro Replay

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