Majora’s Mask chegou ao Nintendo 64 na América do Norte em 26 de outubro de 2000 e apresentou à série The Legend of Zelda um tom e mecânicas bastante distintos em relação ao seu antecessor, Ocarina of Time.

Um mundo à beira do fim

Em vez de retornar a Hyrule para enfrentar Ganondorf, a história coloca Link na bizarra terra de Termina, onde o travesso Skull Kid usa uma máscara poderosa que põe a lua numa rota de colisão com o planeta. O relógio literal que acompanha essa ameaça transforma a ambientação: Termina é povoada por personagens excêntricos, locais estranhos e uma sensação constante de urgência e melancolia.

Três dias contra a contagem

A principal novidade de jogabilidade é um ciclo repetido de três dias. Conforme o tempo avança, habitantes seguem rotinas, eventos se desenrolam e a lua se aproxima. Se o tempo chega ao fim, o jogo termina — mas Link pode usar a Song of Time para voltar ao início do ciclo. Ao repetir os três dias, o jogador mantém itens e progressos importantes, enquanto muitos acontecimentos e tarefas são reiniciados, exigindo planejamento para cumprir objetivos.

Os desenvolvedores chegaram a considerar um ciclo de sete dias, mas reduziram para três porque gerenciar uma semana inteira de agendas e eventos ficou complexo demais.

Máscaras que mudam tudo

Outra inovação marcante é o foco nas máscaras. Mais do que acessórios, elas oferecem habilidades, desbloqueiam novas formas de interagir com personagens e resolvem enigmas. Algumas máscaras transformam Link em outras criaturas: a Deku Mask o torna um Deku Scrub com movimentos e capacidades próprios; a Goron Mask permite rolar com força; e a Zora Mask altera completamente a exploração subaquática. Essas transformações introduzem mecânicas variadas sem abandonar a estrutura clássica de exploração e solução de puzzles.

Personagens e missões com rosto humano

O jogo dedica atenção às rotinas e dramas dos moradores de Clock Town e outras regiões. Ao invés de tarefas meramente repetitivas, muitas missões secundárias envolvem ajudar NPCs a enfrentar problemas pessoais enquanto o fim do mundo se aproxima, conferindo um tom mais íntimo e, às vezes, comovente às tarefas paralelas.

Experimentação dentro de uma fórmula conhecida

Embora utilize a mesma base técnica e elementos de Ocarina of Time, Majora’s Mask se diferencia pela atmosfera mais sombria, o ciclo temporal e o sistema de máscaras. O jogo mantém características tradicionais da franquia — exploração, combates, templos e chefes — mas as envolve numa proposta incomum para a série.

Quem revisitou o jogo só pelas memórias recorda o quanto apreciou as ideias criativas, em especial o uso das máscaras, mas também admite que o limite de tempo foi uma fonte de frustração pessoal. O autor dessa lembrança não revisitou Termina desde a era do Nintendo 64, e reconhece que uma nova experiência hoje poderia alterar sua percepção sobre o sistema de três dias.

Independentemente das preferências individuais, Majora’s Mask permanece como um capítulo singular na história de Zelda: uma aventura que ousou experimentar sem abandonar o espírito da série.

Fonte: Retro Replay

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