Em 22 de outubro de 2001, Grand Theft Auto III chegou ao PlayStation 2 e transformou a série: a visão top-down das versões anteriores deu lugar a uma Liberty City totalmente tridimensional, onde era possível andar pelas ruas, entrar em carros, ouvir estações de rádio e ver a cidade seguir sua rotina independente das ações do jogador.
Uma cidade para explorar
Desenvolvido pela DMA Design — estúdio que viraria Rockstar North — o título não se limitou a mudar a câmera. Em mundo aberto, a cidade tinha tráfego, pedestres, resposta policial, mudanças climáticas e áreas distintas: as zonas industriais de Portland, os distritos comerciais de Staunton Island e os subúrbios de Shoreside Vale. O mapa era liberado em partes conforme o avanço da história, já que as três ilhas principais só ficavam acessíveis ao jogador progressivamente.
História, personagens e dublagem
O enredo começa com um assalto a banco que dá errado: o protagonista é traído, baleado e deixado para morrer por sua então parceira, Catalina. Após uma fuga durante um transporte prisional, ele percorre o submundo criminoso de Liberty City em busca de vingança e oportunidades. O personagem, posteriormente identificado como Claude, permanece em silêncio durante toda a aventura, mas é cercado por figuras marcantes como 8-Ball, Salvatore Leone e Donald Love. O jogo também contou com nomes conhecidos na dublagem, como Michael Madsen, Joe Pantoliano e Robert Loggia.
Jogabilidade e liberdade
GTA III combinou direção, combate, narrativa e exploração de um modo que ajudou a estabelecer um modelo para muitos jogos seguintes. Carros e armas tinham características próprias: veículos variavam em aceleração, resistência e manejo, e as armas ofereciam usos distintos, do bastão ao armamento pesado. Parte do apelo estava em experimentar — tentar pulos, achar segredos, buscar colecionáveis ou aguentar um nível de procurado de cinco estrelas até o momento em que a tela exibia o icônico WASTED.
O mundo como personagem
A cidade funcionava também como cenário vivo: rádios com música, comerciais e programas de opinião ajudavam a compor a atmosfera. Estações como a Chatterbox FM inseriam sátira e humor que se tornariam marcas registradas da série, reforçando a sensação de que Liberty City era muito mais que um cenário para missões — era um ambiente com identidade própria.
Herança e sensações
Embora não tenha sido o primeiro jogo de mundo aberto nem a primeira experiência com cidades em 3D, Grand Theft Auto III juntou elementos de exploração, direção, combate e narrativa de forma a popularizar o que se pensava ser possível em jogos de ação e mundo aberto. A Rockstar seguiria com Vice City (2002) e San Andreas (2004), ampliando o alcance do que GTA III iniciara. Ainda assim, a Retro Replay lembra que há algo na experiência de descobrir Liberty City pela primeira vez — a sensação inédita de liberdade e descoberta — que os títulos seguintes, por maiores e mais refinados que tenham sido, não conseguiram recriar de forma idêntica.
Passados vinte e cinco anos, GTA III segue sendo lembrado não apenas pelo impacto técnico e comercial, mas também pela forma como ofereceu um novo tipo de jogo: um mundo a ser explorado, com histórias, personagens e possibilidades que se sobrepunham ao simples completar de missões.
Fonte: Retro Replay
